Sabia que o seu protetor solar pode estar a destruir os recifes de corais, por todo o mundo?

Os oceanos cobrem mais de 70% do planeta e o protetor solar que usamos pode estar a contribuir para a sua poluição. Saiba o que está a acontecer e como o travar.

Cobrem mais de 70 por cento do planeta. São um dos recursos naturais mais valiosos do planeta. Albergam também grande parte da vida do planeta, desde algas microscópicas à baleia azul, o maior animal no planeta Terra. Então porque os continuamos a poluir a um ritmo desenfreado?

Segundo a WWF, “mais de 80% da poluição marinha é proveniente de atividades baseadas em terra. Desde sacos de plásticos a pesticidas, a maior parte do lixo que produzimos em terra acaba por chegar aos oceanos. Através de descargas deliberadas ou de escoamentos a partir de canos ou rios”. Isto inclui óleo, fertilizantes, ilhas de lixo (lixo sólido como sacos de plástico, garrafas, sapatos, etc.), descargas de esgoto e químicos tóxicos. O que talvez não saiba é que pode estar a contribuir para esta percentagem. Sempre que vai à praia e usa um protetor solar convencional.

O que acontece aos oceanos quando usa um protetor solar “normal”

Num artigo deste ano, o jornal americano The New York Times revelava que de acordo com Craig Downs, o diretor executivo do Laboratório Haereticus Environmental, os químicos nos protetores solares que são libertados quando nadamos ou viajamos através dos sistemas de esgoto quando tomamos banho “têm mais impacto que as mudanças climáticas, quando se trata dos recifes de corais”. Um estudo desenvolvido pela sua equipa, em 2015, revelou que a oxibenzona, um químico normalmente encontrado nos protetores solares, é tóxico para as algas simbióticas que vivem dentro dos corais e que têm como tarefas fornecer-lhe a sua cor e outros nutrientes vitais, assim como assegurar o crescimento dos corais.

Além disso, um estudo Europeu desenvolvido em 2008, publicado pela Environmental Health Perspectives concluiu que o protetor solar promove a infeção dos corais, que leva a que fiquem com manchas brancas. Estimaram que, por ano, cerca de 14 mil toneladas de protetor solar acabam nos oceanos.

Para ter noção do impacto do protetor solar nos corais, o Havai será o primeiro estado americano a proibir a venda de protetores solares que contenham os químicos oxibenzona e metoxicinamato de octila. A lei que ainda tem de ser aprovada pelo governador, David Ige, não é 100% consensual, mas é um primeiro passo importante para evitar a degradação dos corais, que segundo os cientistas, poderão desaparecer dentro de 30 anos se nada for feito. 

O que pode fazer pela sua saúde e pela dos oceanos

Evitar estar exposta nas horas de maior intensidade solar.

  1. Evitar protetores solares que contenham os químicos oxibenzona , metoxicinamato de octila e metilparabeno. Atenção, estes químicos estão presentes em diversos protetores. O Haereticus Environmental Lab publicou uma dos químicos a evitar.
  2. Preferir os protetores biológicos que têm a sua eficácia comprovada pode ser uma opção. De acordo com Cátia Curica, “os protetores solares bio têm que cumprir a mesma legislação que os protetores convencionais. Isto é, têm de comprovar a sua eficácia através dos testes SPF que são efetuados em laboratórios certificados na europa para protetores solares. São todos testados sob as mesmas regras para poderem ir para o mercado.”
  3. Provavelmente lê os rótulos da comida que compra. Aqui o principio tem de ser o mesmo. Tenha em atenção as formulas dos protetores, tendo em conta que abaixo dos 100 nanómetros é considerado nano e por isso pode ser digerido pelos corais. Segundo Cátia Curica, fundadora Organii, “As substâncias mais seguras para a pele e para o ambiente e que fazem proteção solar são os minerais óxido de zinco e dióxido de titânio. São protetores que fazem barreira física ao sol quando aplicados na pele. Mas algumas marcas para evitar o tom branco na pele partem estes minerais até ficarem em tamanhos tão pequenos que se chamam de nano partículas. E estas nano partículas podem ser nefastas devido ao tamanho porque são absorvidas pelo nosso organismo e pelos próprios corais e impedem a boa circulação ficando acumuladas algures no nosso corpo ou nos corais”.
  4. Optar por roupa que proteja das radiações solares, evitando ter de aplicar tanto protetor solar. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, já existem tecidos feitos para absorverem 100% ou perto de radiação UV. No entanto, de acordo com Cátia Curica “os tecidos naturais sempre fizeram essa função de proteção e estima-se que o algodão consiga proteger-nos de 90% da radiação. Por isso, o ideal é as pessoas terem em atenção aos materiais das roupas de verão. Quanto maior percentagem de fibras naturais, mais protegidas estão. Já os tecidos sintéticos protegem apenas 30% de radiação UV”.

 

Sabia que

1000 milhões das pessoas mais pobres do mundo dependem de alimentos de origem marinha

90% do comércio global é feito por via marítima.

Portugal é o 3º maior consumidor de pescado per capita a nível mundial.

Cerca de metade da população mundial vive a menos de 150km da costa.

Portugal tem a 3ª maior Zona Económica Exclusiva (ZEE) da União Europeia.

Estima-se que, em 2015, a produção de energia eólica offshore a nível mundial terá atingido os 38 TWh, ficando 50% acima do valor de 2014.

O Turismo em Portugal beneficia do clima ameno gerado por uma corrente oceânica quente que passa ao largo da nossa costa, representando 7% do pib nacional.

Fonte: Fundação Calouste Gulbenkian

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