O que esperar de uma visita ao Butão

No país em que se mede a felicidade, prepare-se para encontrar um pequeno país na Ásia com pouca população e muita área verde protegida. Saiba o que encontrar pelas palavras de Cátia Curica.

Se ainda está com duvidas sobre escolher o Butão como destino da sua próxima viagem, o ideal será ler o post “5 razões para ir ao Butão”, uma visão na primeira pessoa. Após ter ido ao Butão, Cátia Curica, uma das fundadoras da Organii, não tem palavras para descrever o que viu e o que vivenciou.

No país em que se mede a felicidade, prepare-se para encontrar um pequeno país na Ásia com pouca população e muita área verde protegida. A única rua com muito tráfico (quer dizer mais de uma dezena de carros) fica na capital. Os prédios são baixos, os andaimes de bambu, as construções mesmo recentes são de cariz tradicional usando os materiais de antigamente e com muita madeira. Nas estradas aplicam por baixo do alcatrão pedras misturadas com a reciclagem do plástico do país.

O que se come?

Encontrará uma mistura de comida chinesa e indiana, sempre com arroz branco muito simples, vegetais salteados e ao vapor crocantes, estufados com ou menos especiarias e picante, naan e vários tipos de naans diferentes. Pequeno almoço igual a qualquer outra refeição. Mas existem sempre opções mais ocidentais nos hotéis. Fruta no fim da refeição quase sempre melancia, tal como na China.

A Viagem
O mercado

Em Thimphu, a capital atual do Butão, o mercado é de tirar a respiração. Pelo menos a minha. Aqui muitos alimentos são analisados para verificar se estão isentos de resíduos de pesticidas antes de poderem ser vendidos. O Butão proíbe o uso de fertilizantes, pesticidas e herbicidas. Apenas permite o cultivo de alimentos em modo de agricultura biológica. Grande ideia! Na minha opinião uma ideia maravilhosa para preservar a biodiversidade e não provocar a contaminação de solos e recursos hídricos. Vamos ver é como vão conseguir afastar estes lobbies do país. Perdi-me no mercado… Pickles, mel, pastas de peixe e especiarias, ingredientes estranhos e vassouras tradicionais. Adorei e em todas as viagens que faço é um dos meus locais preferidos, sempre!

O centro de tecelagem

Visitamos um centro de tecelagem onde fazem muitos dos tecidos típicos usados nos lenços e fatos tradicionais Butaneses. Também visitámos a biblioteca nacional com muitos livros e escrituras sagradas do Budismo, medicina Tibetana e Ayurvédica e de História, claro. A seguir fizemos a viagem para Punakha, passagem por local sagrado com stupas e de onde se consegue ver bem a cordilheira dos Himalayas.

O país rural

Nos dias seguintes vivemos a ruralidade do país com passeios pelos campos de arroz, caminhada por colinas até aos templos, pontes, rios, almoço com uma família rural que nunca tinha recebido turistas em sua casa e tiro ao arco. Ou melhor tentativa de tiro ao arco porque no Butão é o desporto nacional, mas para nós é ver as flechas nas couves…

Paro

Na visita a Paro, a cidade com o único aeroporto internacional e que recebe um a dois aviões por dia, encontramos ruas muitos giras, cheias de lojinhas de todo o tipo e onde se encontram à venda cordyceps. Aqui encontra-se o museu nacional onde nos contam a importância dos festivais de máscaras e dança que existe por todo o país. E onde percebemos os corredores ecológicos criados, a lógica da passagem dos animais e todo o culto da biodiversidade que pretendem manter.

O último dia

Fazemos a caminhada ao ex-libris Butanês, o templo do Ninho do Tigre. Conta a lenda que Guru Padmasambhava, também conhecido como Guru Rinpoche, um monge Budista famoso por volta de 800 D.C. teria meditado nesta gruta. Ficando a gruta a 3120m de altitude numas escarpas bem altas como teria o monge chegado lá? Levado milagrosamente por um tigre e daí o nome de Ninho do Tigre, pois o tigre descansava na gruta enquanto o monge meditava. O mosteiro só foi construído em 1692. Para o visitar é preciso subir e descer durante umas 3h. Mas, é claro, que o caminho é a verdadeira transformação e não apenas a visita ao local. Lá dentro, como em todos os templos, não são permitidos sapatos, nem fotografias. Aliás neste país a regra é simples No Shoes. No Photos. Se quiserem saber mais sobre o mosteiro.

Nesta caminhada foi onde escolhemos lançar as nossas bandeiras da sorte. Qualquer pessoa que já tenha visitado um país Budista as consegue reconhecer, existem por todo o lado, atadas entre árvores com as bandeiras ao vento. Vento que corre para abençoar aqueles cujo nome escrevemos nas bandeiras (tipicamente na parte branca para se verem melhor). E depois hora de voltar para casa, mais uns quantos voos de volta e muita emoção para processar.”

Notas práticas:
  • Quando ir – no inverno deles (e nosso) porque chove menos e se possível escolherem uma data de um festival das máscaras (existem quase todos os meses).
  • É preciso autorização especial para entrar e guia Butanês. A minha sugestão é irem com a Zen Family, porque o Luís e a Daniela são ótimos anfitriões e sabem mesmo bem lidar com grupos e pessoas, transformando qualquer grupo de desconhecidos em amigos.
  • Leve um kit SOS e para o dia-a-dia leve uma mochila com a garrafa de água, o protetor solar, um rolo de papel higiénico, o chapéu de sol e gorro, os óculos de sol, o batom do cieiro e toalhitas descartáveis, mas que sejam biodegradáveis para não contaminarmos os locais que visitamos. E sempre um polar para vestir em caso de frio ou tirar se está calor.
  • Pode ver todas as informações práticas no site de turismo do país.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Ao continuar a navegar neste site aceita o uso de cookies. mais informação

O nosso website utiliza cookies. Um cookie é um pequeno ficheiro de letras e números que colocamos no seu computador, caso o permita. Estes cookies permitem-nos distingui-lo dos outros utilizadores do nosso website, o que nos ajuda a fornecer-lhe uma boa experiência quando navega no nosso website e também nos permite melhorar o nosso website. Poderá consultar todos os detalhes sobre o tipo de cookies que utilizamos e a finalidade para a qual os utilizamos na nossa política de utilização de cookies. Ao continuar a utilizar este website, está a concordar com a utilização de cookies.

Fechar