As diferenças entre cosmética biológica e cosmética natural

Se ainda tem dúvidas entre o que é a cosmética biológica e a cosmética natural, Cátia Curica esclarece tudo de uma forma simples e direta.

Ir às compras para a sua rotina de beleza continua a ser um desafio se procura uma vida mais natural e saudável. Ou prefere o biológico? É que existem diferenças que deve estar a par. Cátia Curica, fundadora da Organii, explica tudo de uma forma simples, para que não fiquem dúvidas no ar, na próxima vez que for comprar um cosmético.

O que é a cosmética biológica?

A cosmética biológica integra atualmente um conjunto vasto de marcas e produtos de higiene pessoal produzidos com base em ingredientes biológicos cultivados sem pesticidas e herbicidas. Desses ingredientes consegue-se retirar extratos mais puros e ativos. As marcas e os fabricantes que desenvolvem de forma séria estes produtos procuram que o processo de fabrico seja o mais natural e com o menor impacto ambiental possível, sem recorrer a ingredientes geneticamente modificados, fragrâncias, conservantes e corantes sintéticos, nem aditivos químicos potencialmente perigosos para a saúde e/ou para o ambiente. A redução da intervenção química permite destacar a autenticidade de cada ingrediente contribuindo para um produto final mais íntegro e sobretudo mais eficaz.

Mas cosmética biológica é sinónimo de menos tecnologia ou investigação?

A redução da intervenção química não significa que a tecnologia fica à parte deste tipo de cosmética. A tecnologia é utilizada na obtenção de extratos mais puros, na utilização do vácuo para conservar, para obter ativos mais intensos, partículas mais pequenas e finas, entre outras funções. Tudo para obter os melhores cosméticos provenientes da natureza.

Na realidade, a cosmética biológica defende a integridade e pureza de todo o processo de transformação. Desde a matéria-prima à formulação final do produto; do uso de ingredientes biológicos à forma como são obtidos os extratos (sem solventes químicos), à manipulação e conservação do produto. Além disso, não são permitidos produtos de síntese considerados nocivos e que excluem grande parte da formulação sintética convencional, como por exemplo os parabenos, o fenoxietanol, os ftalatos, o lauryl sulfato de sódio (entre outros da mesma família), a vaselina e a parafina (derivados do petróleo), os corantes, os perfumes, etc.

E o que tem a cosmética biológica a ver com a nossa forma de viver?

No que diz respeito a nós seres humanos e ao nosso bem-estar, o significado da palavra “biológico” implica, de igual modo, o respeito pelo mundo e pela sociedade em que vivemos. Desta forma, conceitos como ecologia, comércio justo e sustentabilidade estão necessariamente presentes quando falamos de um cosmético biológico certificado pelas organizações que zelam pelo cumprimento desses parâmetros. É por isso que quando compramos um destes produtos é-nos dada a garantia de que, por exemplo, não foi testado em animais, de que os processos de fabrico devem ser seguros e não poluentes e de que as embalagens devem ser escolhidas com o mais estrito respeito pelo meio ambiente, utilizando formatos recicláveis e com baixo consumo de energia.

E qual a diferença para um cosmético natural?

Um cosmético natural é qualquer produto que tenha um extrato natural, independentemente da sua percentagem, da forma como foi extraído ou dos restantes ingredientes que o acompanham – que na generalidade são sintéticos. Podemos ter um cosmético com derivados do petróleo, silicones, alumínio entre outros ingredientes e ser considerado na mesma natural. Desta forma a cosmética natural pode conter produtos mais ou menos naturais dentro desta mesma designação. Porquê? Porque segundo a lei um cosmético natural é aquele que tem um extrato natural e não aquele que só contém ingredientes naturais. Isso são os cosméticos biológicos e que não estão definidos por lei.

Qual o problema dos ingredientes químicos e sintéticos?

A pele constitui o maior órgão do corpo humano. É um tecido vivo que respira, que nos defende das agressões externas e absorve mais de metade do que nela colocamos, entrando na nossa circulação sanguínea. Os químicos sintéticos utilizados na maioria dos cosméticos, ao serem absorvidos, não são reconhecidos pelo nosso organismo. São substâncias com constituições químicas que o nosso corpo trata como “estranhas”. O organismo vai, então, tentar eliminá-las, sobrecarregando os órgãos que desempenham esta função, como é o caso do fígado ou dos rins.

No entanto, estudos científicos comprovam que muitas destas substâncias permanecem no organismo, intoxicando-o, provocando distúrbios químicos e efeitos mutagénicos. Pelo contrário, o processo de metabolismo das células das plantas ocorre de forma semelhante ao das células da pele humana. Tal como no ser humano, nas plantas a vida é assegurada através de reações bioquímicas entre enzimas, vitaminas e minerais e tal como nas células do corpo as das plantas formam radicais livres nocivos, que são combatidos com flavonoides, vitaminas e outros antioxidantes.

Os ingredientes ativos atuam do mesmo modo quando entram no corpo humano. O nosso organismo reconhece e compreende, assim, os ingredientes ativos das células das plantas e é por esta razão que se torna biologicamente possível o seu envolvimento nos processos da vida celular da pele, melhorando o bem-estar celular, bem como da saúde em geral; e se falamos de compatibilidade, falamos igualmente de tolerância por parte das peles mais sensíveis e de propriedades hipoalergénicas.

Por último, consideramos importante esclarecer que nada do que foi dito até aqui invalida que falemos de uma indústria, também ela aliada ao que a investigação científica nos dá. Dela fazem parte especialistas (químicos, farmacêuticos, dermatologistas) que estudam, pesquisam e procuram a otimização de resultados, aliando a tecnologia ao que de melhor a natureza, inteligentemente, nos proporciona. Tudo isto comprova que a ciência e o mundo no qual nos foi dada a possibilidade de habitar, e de cujos recursos usufruímos, não só não são incompatíveis, como podem viver em harmonia.

Qual a importância da certificação biológica?

A inexistência de regulamentação específica para a elaboração de cosméticos biológicos (por oposição à legislação já existente para a produção e cultivo de produtos alimentares biológicos), dificulta a definição dos parâmetros que estes produtos devem seguir. Sem uma entidade legal que proteja e garanta os padrões defendidos pela cosmética biológica, as certificações independentes são a única forma de assegurar ao consumidor final a integridade e autenticidade do produto. Na ausência de certificação a qualidade e veracidade do cosmético bio ou verdadeiramente natural depende exclusivamente da competência e honestidade dos laboratórios que os desenvolvem. Razão pela qual defendemos a certificação.

Na verdade, é a forma mais segura de garantir ingredientes de grande qualidade e a utilização de produtos livres de químicos, prejudiciais à saúde. O facto de um produto cosmético se afirmar como natural não quer dizer que os seus constituintes não estejam contaminados, nem tão pouco evita a adição de substâncias químicas usadas como solventes, conservantes ou antioxidantes no seu processo de fabrico; natural apenas quer dizer que contém extratos naturais. O logotipo de uma certificação num produto permite ao consumidor identificar se está perante um cosmético bio ou verdadeiramente natural, sem ter que analisar exaustivamente a lista de ingredientes.

Que entidades de certificação biológica existem?

Existem várias entidades independentes a fornecer certificação. A sua maioria defende princípios semelhantes e exigências estritas que incluem: a obrigatoriedade na utilização de ingredientes biológicos; a proibição de testes em animais; o recurso a ingredientes poluentes, geneticamente modificados, ou químicos potencialmente tóxicos (fragrâncias e corantes artificiais, derivados do petróleo, glicóis, DEA, MEA, TEA, parabenos entre outros). Utilização de embalagens sustentáveis.

Entre as várias entidades a certificar este tipo de produtos temos a Ecocert, Cosmebio, Soil Association, USDA, BDIH, ICEA, Nature.

Se ainda quer ter acesso a mais informação, basta ir aqui.

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