
Plastic-Free July: o (micro)plástico invisível nos cosméticos
Quando pensamos em plástico nos cosméticos, pensamos logo em embalagens: frascos, bisnagas, tampas, amostras, saquetas. E sim, tudo isso conta. Mas há uma parte da conversa que quase nunca vemos: o plástico que pode estar dentro da fórmula.
Durante o Plastic-Free July, vale a pena fazer uma pergunta simples: já olhou para a lista de ingredientes dos seus cosméticos?
É que, em muitos produtos convencionais — e até em alguns que se apresentam como “naturais” — podem existir microplásticos, polímeros sintéticos e derivados petroquímicos. Muitas vezes, não estão lá “por acaso”: são usados para dar uma textura mais sedosa, criar espuma, aumentar a fixação, formar uma película na pele ou deixar o cabelo com aquele toque mais suave.
O problema é que estes ingredientes podem passar despercebidos. Não se veem como uma embalagem. Não se sentem como plástico. Mas podem estar lá.
Na Organii, acreditamos que cuidar da pele também é cuidar do que fica depois: no corpo, na água, no ambiente. Por isso, apostamos em cosmética biológica e natural certificada, com fórmulas que não dependem de microplásticos para serem eficazes e sensoriais.
O plástico não está só no frasco
Durante muito tempo, quando se falava de microplásticos na cosmética, pensava-se sobretudo nas microesferas visíveis usadas em esfoliantes, géis de banho ou pastas de dentes.
Hoje, sabemos que o tema vai mais longe.
Os microplásticos são partículas sintéticas muito pequenas, normalmente inferiores a 5 mm, que podem ser adicionadas intencionalmente a alguns produtos. A União Europeia já começou a restringir este tipo de ingredientes, mas a transição acontece por fases e nem todos os produtos desaparecem de imediato do mercado.
Além disso, há ingredientes que podem não ser classificados legalmente como “microplásticos” em todos os contextos, mas que pertencem ao universo dos polímeros sintéticos e dos derivados petroquímicos. E é aqui que a leitura do rótulo se torna importante.
Já fez uma revisão aos ingredientes dos seus cosméticos?
Muitas fórmulas usam ingredientes sintéticos para melhorar a experiência do produto: uma textura mais cremosa, um toque mais suave, um gel mais espesso, uma espuma mais abundante ou uma maquilhagem mais resistente.
Alguns exemplos que pode encontrar nos rótulos INCI incluem:
- PEGs — usados como emulsificantes, espessantes, solubilizantes ou humectantes.
- Silicones — como Dimethicone, Cyclomethicone ou ingredientes terminados em -cone, -siloxane ou -conol.
- Acrilatos — como Acrylates Copolymer ou Carbomer, usados para criar textura, fixação ou efeito filme.
- Poliuretanos — como Polyurethane-1 ou Polyurethane-35.
- Polyquaterniums — comuns em produtos capilares e de higiene, como Polyquaternium-7 ou Polyquaternium-10.
- Nylon — como Nylon-12 ou Nylon-6, usado para acabamento, volume ou textura.
- Glitter plástico — muitas vezes listado como Polyethylene Terephthalate ou PET.
Não é preciso decorar todos estes nomes. Mas reconhecer alguns padrões já ajuda a perceber que o plástico na cosmética nem sempre aparece de forma óbvia.
Cosmética é química — mas há química e química
Uma fórmula cosmética é sempre química. A água é química – H2O. Os óleos vegetais são química. Os conservantes, solubilizantes e outros também fazem parte da química necessária para que um produto seja seguro e estável.
A questão não é ter “química” ou não ter “química”. A questão é: que tipo de ingredientes são usados, de onde vêm, como são transformados e que impacto têm?
É aqui que as certificações fazem diferença.
Na cosmética biológica e natural certificada, não basta colocar um ingrediente bonito na frente da embalagem. A fórmula inteira tem de cumprir regras: origem dos ingredientes, processos permitidos, ingredientes proibidos, percentagens, documentação e auditoria.
Ou seja, quando vê um selo de certificação, não está apenas a ver uma palavra bonita. Está a ver um sistema de controlo.
Porque é que a Organii aposta em cosmética certificada?
Porque palavras como “natural”, “clean” ou “sem químicos” podem ser vagas. Podem soar bem, mas não dizem tudo.
As certificações ajudam a tornar a escolha mais clara. Selos como COSMOS e NATRUE definem critérios para o que pode e não pode entrar numa fórmula de cosmética natural ou biológica.
No caso da NATRUE, a posição é muito direta: produtos certificados com o selo NATRUE não contêm microplásticos, porque estes são proibidos pelos seus critérios.
Na prática, isto significa que o consumidor não tem de ser especialista em INCI — a lista de ingredientes que aparece nas embalagens — para fazer uma escolha mais consciente. A certificação funciona como um “guarda-chuva” de requisitos que vai muito além do que cabe na frente do rótulo.
É por isso que o foco da curadoria Organii passa por cosmética biológica, natural e certificada: porque queremos que a confiança venha de critérios reais, não apenas de marketing.
A mensagem principal: os cosméticos da Organii não contêm microplásticos
Na Organii, a escolha é clara: trabalhamos com cosmética biológica, natural e certificada, com fórmulas pensadas para respeitar a pele e o ambiente.
Isto significa que não olhamos apenas para o plástico visível — a embalagem — mas também para o plástico invisível, aquele que pode estar escondido na textura, no brilho, na espuma ou no toque sedoso de uma fórmula.
Porque cuidar da pele não deve significar aplicar plástico na pele.
E cuidar do planeta não pode ficar só pela embalagem.
Unii by Organii: sustentabilidade dentro e fora da fórmula
A nossa marca própria, Unii by Organii, nasceu com esta preocupação: criar cosmética biológica, eficaz e mais consciente, da fórmula à embalagem.
Em grande parte da gama, apostamos em formatos sólidos, embalagens reduzidas e alternativas mais sustentáveis. Nos produtos Zero Waste, usamos etiquetas em papel pedra — um papel mineral produzido sem árvores, sem água, sem cloro e sem PVC. É resistente, à prova de água e tem um toque suave.
Também damos prioridade a ingredientes locais sempre que possível, desde que cumpram os requisitos de certificação biológica e grau cosmético. Alguns exemplos são:
- Sal da Ria Formosa, no Algarve
- Extrato de bolota
- Azeite/óleo de origem vegetal
- Alecrim e eucalipto
Sempre que conseguimos, também usamos ingredientes provenientes de subprodutos de outras indústrias, numa lógica de aproveitamento inteligente. Por exemplo:
- Pequenos fragmentos de cortiça da indústria corticeira, usados como esfoliantes naturais
- Óleo de grainha de uva proveniente de excedentes da produção de vinho do Porto
E mesmo nas linhas mais comerciais, pensadas para chegar a mais pessoas e tornar a cosmética biológica mais acessível, mantemos o compromisso: quando usamos plástico na embalagem, damos prioridade a plástico reciclado e reciclável.
Plastic-Free July: a pergunta não é só “a embalagem é de plástico?”
É também:
A fórmula contém microplásticos?
Usa polímeros sintéticos para parecer mais sedosa, espessa ou resistente?
A marca explica os seus critérios?
O produto tem certificação independente?
O Plastic-Free July é uma boa altura para reduzir embalagens descartáveis, claro. Mas também é um momento para olhar com mais atenção para os produtos que usamos todos os dias na pele, no cabelo e no banho.
Porque tudo o que enxaguamos segue caminho. Para a água. Para o solo. Para o ambiente.
Como começar: 3 passos simples
1) Leia o rótulo INCI
Comece por procurar nomes como PEGs, silicones, acrilatos, polyquaterniums, nylon ou PET glitter. Não precisa de saber tudo — basta começar a reconhecer alguns sinais.
2) Escolha certificações reconhecidas
COSMOS, NATRUE e outras certificações naturais/biológicas ajudam a fazer esta triagem por si. Em vez de confiar apenas em alegações, escolha produtos com critérios verificados.
3) Olhe para a marca como um todo
A verdadeira sustentabilidade não está só no frasco. Está na fórmula, na embalagem, na origem dos ingredientes, na produção e no descarte.
Conclusão
O plástico mais fácil de ver está na embalagem. O mais fácil de esquecer pode estar dentro da fórmula.
Neste Plastic-Free July, a Organii convida a olhar para os cosméticos com mais atenção — sem medo, sem complicar, mas com mais consciência.
Porque uma rotina de beleza pode ser eficaz, sensorial e prazerosa sem microplásticos, sem greenwashing e com mais respeito pela pele e pelo planeta.
FAQs
O que são microplásticos nos cosméticos?
São partículas sintéticas muito pequenas, muitas vezes invisíveis a olho nu, que podem ser adicionadas a fórmulas cosméticas para melhorar textura, fixação, viscosidade ou acabamento.
Como posso identificar plástico nos ingredientes dos cosméticos?
Alguns nomes a procurar no INCI incluem PEGs, silicones, acrilatos, polyquaterniums, nylon e PET glitter, embora nem todos sejam classificados legalmente como microplásticos em todos os contextos.
Os cosméticos naturais podem ter microplásticos?
Alguns produtos que se apresentam como “naturais” podem conter polímeros sintéticos ou derivados petroquímicos. Por isso, certificações independentes ajudam a garantir critérios mais rigorosos.
Os cosméticos da Organii têm microplásticos?
Não. A Organii aposta em cosmética biológica, natural e certificada, com fórmulas sem microplásticos e com critérios verificados.
Porque é que a certificação é importante?
Porque ajuda a validar a fórmula como um todo — ingredientes permitidos, processos, origem, documentação e auditoria — em vez de depender apenas de alegações como “natural” ou “clean”.





