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Cuidar do Oceanos e viver em harmonia com eles

Em junho celebrámos o Dia Mundial dos Oceanos e recordámos a importância de cuidar dos oceanos e viver em harmonia com eles. É um momento perfeito para conhecermos os projetos da Violeta Lapa, o fascinante Oceans and Flow.

 

No mês de junho celebrámos o Dia Mundial dos Oceanos e recordámos a importância crescente de cuidar dos oceanos e viver em harmonia com eles, é também um momento perfeito para conhecermos os projetos da Violeta Lapa, o fascinante Oceans and Flow.

 

 

Organii: Violeta, fala-nos um pouco sobre como aconteceu o teu encontro com o oceano. O que despoletou esta espécie de simbiose que tens com o mar?

Violeta Lapa: Este encontro na verdade foi um reencontro! Eu estive afastada do mar durante 25 anos, até aos 35 anos. Sempre tive muito medo do mar e das ondas porque quando eu era pequena com 7 e 8 anos apanhei dois grandes sustos, quase me afoguei. Fiquei com pânico da água e fiquei com uma relação mesmo muito distante da água. Mas sempre continuei a sentir um grande chamamento com o mar, parecia uma memória, tinha muitos sonhos com o mar… pesquisava durante horas fotografias de paisagens marinhas, golfinhos, sereias e seres marinhos, fui alimentando durante anos um “sonho aquático”. E tinha um grande sonho desde os 19 anos, que era aprender a dançar debaixo de água e a dançar um dia com baleias. Mas não sabia nadar, até há 4 anos.  Foi assim como tudo começou, em 2016 enchi-me de coragem e fui sozinha até à Tailândia, para ultrapassar este medo e aprender a nadar e a dançar debaixo de água. Fui participar num encontro de dança aquática, foi uma experiência transformadora que mudou o rumo da minha vida. Nessa viagem que eu fiz sozinha pela Tailândia, recebi uma inspiração, uma visão e um nome – Oceans and Flow. Desde aí nunca mais parei 🙂 Descobri o mergulho livre, e o meu maior maior medo com a água tornou-se a minha maior paixão e missão. Desde esse momento, tenho estado a seguir a água, fiz 30 viagens seguidas ao longo destes 4 anos, para participar em vários cursos aquáticos e conectar com pessoas que trabalham com a água de várias formas, desde atletas, terapeutas, mergulhadores, artistas aquáticos, cientistas, sea coaches, anciões, herbalistas,  sempre aprendendo um pouco mais sobre esta conexão com a água e como podemos desenvolver uma relação mais próxima com a água e o mar.  Reuni todas estas inspirações e um conjunto único de ferramentas, e comecei a partilhar. Em cada viagem e experiência aquática que organizo e vivencio, a minha ligação com o mar vai sendo cada vez mais forte. É uma sensação de estar de volta às minhas origens! No mar é onde me sinto “em casa”.

 

 

O: Enquanto Violeta Lapa, que tipo de iniciativas começaste por fazer individualmente para proteger os oceanos?

V: Associe-me a duas organizações ambientais, a  ROUTE Portugal e a Ocean Alive, sempre que organizam ações de sensibilização e limpezas de praia, eu participo e chamo mais pessoas e amigos para participarem também. Vou passando a mensagem e inspirando para a ação. Tem mesmo muito impacto participarmos neste tipo de ações e iniciativas, desperta e ensina-nos na prática, traz-nos mais consciência ecológica e mostra-nos soluções que podemos desenvolver no nosso dia a dia. Posso dizer que em TODOS os sítios onde eu mergulhei, infelizmente encontrei plástico.  Ver e sentir o estado do mar, como os corais estão a morrer por todo o mundo, os mares a tornarem-se um deserto sem peixes…conhecer a realidade das pescas e a relação abusiva dos homens com os seres marinhos, fez-me querer agir cada vez mais. Foi quando conheci e vivenciei esta realidade, que passei a compreender e acima de tudo a Sentir um amor maior pelo mar e pelo mundo aquático. Tornou-se mesmo muito importante para mim cuidar dele. Comecei então com pequenos passos no meu dia a dia. Passei a usar uma garrafa de água reutilizável e fui deixando de comprar garrafas de plástico. Quando tive conhecimento que diariamente são descartadas no mundo cerca de 1.3 biliões de garrafas de plástico, este número impactou-me muito.. quis mudar os meus hábitos de consumo, fazer a minha parte. Comprei um filtro de água e já não compro garrafas de plástico, já é um bom começo. Assim como o consumo de outros plásticos, deixei de comprar alimentos que vêm envolvidos em bandejas de esferovite e outros plásticos, e compro ao máximo alimentos que se vendem a granel. Outro grande passo foi entender que posso cuidar das águas e dos oceanos a partir da minha casa, através do tipo de detergentes, champôs, sabonetes e produtos de cosmética que consumo.  Passei a conhecer melhor essa ligação das nossas  águas domésticas e a sua ligação até ao mar, entender como funciona o ciclo da água, e o tipo de produtos que usamos nas nossas casas tem mesmo muito impacto. Os detergentes, champôs, sabonetes e protetor solar que uso não têm químicos, são naturais, artesanais e certificados. Além de não nos fazerem bem os produtos domésticos químicos, vão parar ao mar e contaminam as água, os solos, e a vida marinha. No meu dia a dia eu vou rejeitando as palhinhas, sacos e embalagens de plástico, vou também passando a palavra e incentivando estas ações. Ando sempre com sacos de papel que reutilizo e sacos de pano, quando faço as minhas compras. No começo parece difícil mudarmos hábitos, mas é muito gratificante podermos contribuir com a nossa parte, sermos ‘gotas de ação’ num imenso oceano. Estamos não só a cuidar melhor de nós,  mas acima de tudo do ambiente.

 

 

O: Como surgiu a ideia de criares uma comunidade internacional focada na água e no movimento aquático?

V: Surgiu naturalmente com a evolução deste caminho da Oceans and Flow. Na verdade é uma comunidade de amantes do mar e da natureza, focada na pesquisa da água e do movimento aquático. Quando começou a ser mais claro para mim quais as práticas que gostaria de aprofundar e desenvolver – a terapia aquática, a dança subaquática em apneia, o bodysurf  e o mergulho livre (conhecido como freediving ), fiquei com vontade de partilhar com mais pessoas sobre estas descobertas e passar a mensagem da água,  ajudando a relembrar esta nossa sabedoria aquática. Começaram a chegar muitas pessoas vindas de 27 países, e desde então nasceram lindos projetos aquáticos dentro desta comunidade, que tem estado a crescer.

 

 

O: Que tipo de experiência é que o projeto Oceans and Flow oferece?

V: Nós realizamos viagens aquáticas em 4 ilhas e 4 países, nos Açores, Tailândia, Grécia e Brasil. Eu organizo também experiências aquáticas em Portugal, numa piscina com água aquecida, e no mar – em Sintra e na Serra da Arrábida. As viagens e as experiências aquáticas são para pequenos grupo. Também realizo sessões aquáticas individuais. Realizamos também projetos audiovisuais, são expedições de pesquisa do movimento aquático onde desenvolvemos várias ações e iniciativas locais, envolvendo a comunidade da ilha, desde palestras e screenings dos filmes, EcoAções de limpezas de praia, e também sessões aquáticas. Ao longo das nossas viagens e expedições, temos realizado filmes e documentários, que partilham mais sobre esta sabedoria aquática, e temos apresentado em Festivais Internacionais de Cinema. É possível assistir aos nossos filmes no site e no canal youtube Oceans and Flow. Com a evolução da nossa última expedição realizada o ano passado nos Açores, nasceu um programa de educação subaquática – o Programa Atlantis, que vai começar em Setembro numa escola em Sesimbra. No nosso site podem saber mais informação.

 

 

O: De que forma é que o contato com o mar pode contribuir para o bem estar e auto-conhecimento do ser humano?

V: Quando estamos no mar e em contacto com a água, num ambiente seguro, sentimos um bem estar, mais energia e também relaxamento. Ficamos energizados e sentimos as nossas “baterias recarregadas”.  Vamos conhecendo também mais sobre a vida marinha e como “habitar” estes espaços. As paisagens mais lindas que eu já vi, foram todas debaixo de água.  Este estado de “encantamento” e contemplação, traz-nos mais alegria e bem-estar, libertam-se endorfinas. Quando estamos no mar relembramos as brincadeiras de infância, traz-nos muita alegria e prazer. E quando passamos mais tempo a contemplar e conhecer a natureza, desperta-nos um novo olhar e uma relação mais subtil, ficamos mais sensíveis e conscientes. Acedemos a sensações, lembranças, memórias.  Podemos aprender tanto com o mar e os ritmos da natureza. Trazendo esse conhecimento para o nosso dia a dia, ganhamos não só mais bem estar e consciência corporal – por exemplo a forma como respiramos e nos movemos no nosso dia a dia, conseguimos reduzir o stress só algumas respirações. A nossa capacidade física também amplifica, e tornamo-nos mais criativos, flexíveis e resilientes. Expandimos a nossa “zona de conforto” e capacidade de superação. Ajuda-nos a lidar com desafios e imprevistos, a superar e “surfar as ondas” da nossa própria vida. Existe mesmo uma relação direta com o ‘corpo do mar’ e o nosso corpo. E quando descobrimos e entendemos esta extensão e como funciona essa relação, conseguimos mesmo sentir o quanto somos UM com o oceano, e passamos a ver e a viver a vida de uma outra forma, com muito mais clareza e consciência.  Dentro de nós temos um oceano interior, somos constituídos por  70% de água. Ao mergulharmos nestas práticas aquáticas estamos também a mergulhar dentro de nós e nas nossas emoções. E nesse lugar de descoberta e vulnerabilidade, emerge todo o potencial do nosso Ser, conseguimos conhecer mais sobre os nossos dons, talentos e sonhos. As práticas aquáticas empoderam-nos e ajudam a realizarmos os nossos sonhos. Seguimos em frente com coragem!

 

 

O: Este projeto desenvolveu também uma expedição pelos Açores em 2019 que resultou numa série de iniciativas para promover a sustentabilidade. Que iniciativas foram essas e como é que conseguiram trazer mais consciência e foco para esta temática?

V: Ao longo de 6 semanas, realizamos 5 ações na expedição “Açores Atlantis 2019”. Na primeira semana realizamos uma ‘viagem de movimento aquático’ aberto ao público em geral.  Participaram 10 pessoas vindas de vários países,  foi a 3ª edição “Oceans and Flow Açores”. Após esta viagem e passado dois dias, seguimos a bordo de dois veleiros com uma equipa de 13 convidados, navegamos 10 dias pelos mares dos Açores para desenvolver o documentário ‘Song for Atlantis’, fala sobre a escuta profunda da natureza e a conexão inter espécies. Este documentário está a ser editado e é o 2º episódio da nossa série aquática.
Quando voltámos a terra, realizámos no dia nacional da água uma sessão de palestras – a Ocean Talks na Universidade dos Açores para 150 pessoas, com a apresentação de 6 oradores da nossa equipa de navegação, partilhando as suas ações e ligação com o oceano. Este Ocean Talk foi apresentado por Leina Sato, mergulhadora e especialista em encontros com baleias e golfinhos, Jean-Marie Ghislain fotógrafo subaquático especialista em tubarões, Henrique Pistilli bodysurfer profissional e sea coach, Matthieu Paley fotógrafo de aventura da National Geographic, Juliana Marinho jornalista ambiental da WWF-Brasil,  e eu também apresentei no final.
A expedição Açores Atlantis contou com o apoio de vários parceiros locais como a Visit Azores, a SailZen e as Casas da Ribeira Grande, entre outros parceiros. E o apoio da organização ambiental ROUTE Portugal e do Governo dos Açores.
Esta expedição foi uma grande aventura! Terminou com uma eco ação com a participação de 50 pessoas, numa ação de limpeza de praia na Ribeira Grande, em parceria com Henrique Pistilli e a ROUTE Portugal, e o apoio da Câmara Municipal da Ribeira Grande.
Se quiserem saber um pouco mais e acompanhar os resultados da expedição, podem visitar a página Expedição Atlantis.

 

 

O: Fala-nos mais sobre este teu projeto educativo para jovens, o Programa Atlantis, que promove a literacia dos oceanos. Que tipo de ações têm desenvolvido e qual o objetivo?

V: Este programa vai começar em Setembro numa Escola Azul em Sesimbra, ainda não foi lançado 🙂 está para breve! O programa Atlantis surgiu no seguimento da expedição “Açores Atlantis”. É uma continuação, uma expedição adaptada ao contexto escolar. Vamos desenvolver também eco ações e Ocean Talks. Vai ser o 1º programa em Portugal de Educação Subaquática na Escola.

 

 

O: Como encaras o futuro dos teus projetos? Como imaginas que evoluam?

V: Eu visualizo o Programa Atlantis a crescer e a ser implementado em mais escolas no nosso país, através de uma rede de educadores subaquáticos que queremos desenvolver. A nossa área de produção audiovisual também está a crescer, estamos a trabalhar numa série aquática e já filmamos dois episódios. Temos um grande sonho de distribuir esta série aquática na televisão, estamos a trabalhar nessa direção.

Estou a sentir cada vez mais procura dos nossos serviços, uma maior vontade e curiosidade de conhecer a água e o mar e de vivenciar a natureza. Vamos continuar a realizar viagens e experiências aquática, com base em Sesimbra e nos Açores.  Outros projetos aquáticos podem surgir no caminho da Oceans and Flow, estamos abertos à co-criação e imprevisibilidade, e tal como a água vamos seguindo o fluxo deste caminho, com flexibilidade criatividade e capacidade de adaptação. Eu imagino-me a dar mais palestras, conduzir rodas de conversa e partilhas dos nossos filmes. Gostava de criar um curso online relacionado com a água. Vou continuar também a fazer aquilo que mais amo, que é conduzir sessões aquáticas no mar e na piscina.  Estou muito curiosa para descobrir por onde a água nos vai levar. 🙂

 

 

O: O que achas que será o futuro dos oceanos, com questões ambientais tão preocupantes como o degelo, a poluição dos mares, o risco que corre toda a biodiversidade dos oceanos?

V: É uma realidade muito dura e que me dói mesmo muito. Mas eu tenho muita esperança. E apesar do oceano estar em ruínas e nós não podermos voltar a ter o mesmo mar, podemos sim AGIR JÁ e fazer a nossa parte, contribuir na sua regeneração. Está mesmo tudo interligado, os vários sistemas ecológicos. Através das nossas pequenas ações no dia a dia e o impacto das nossas escolhas de consumo, podemos aprender a cuidar melhor não só de nós, mas acima de tudo da natureza e dos oceanos.  Depois de tudo o que vivemos nesta ‘paragem forçada’ e meses de reflexão e confinamento, conseguimos entender agora melhor a forma como estamos todos interligado e que fazemos parte de um Sistema Vivo que é a Natureza.
Está na hora de AGIRMOS e pensarmos mais no todo, no coletivo, aprendermos a cuidar da  Natureza, estamos todos juntos no mesmo barco.

Estamos a despertar para uma maior consciência ecológica. E eu desejo que cada vez mais pessoas conheçam e vivam os Oceanos de uma forma mais próxima, para poderem aprender e entender melhor como agir na sua regeneração. Se cada um de nós fizer a sua parte, seremos cada vez mais pessoas envolvidas nessa mudança, e eu acredito que podemos reverter questões ambientais graves, como a poluição plástica dos oceanos, as alterações climáticas e a preservação da vida de várias espécies de animais que estão em risco de desaparecer. Temos nas nossas mãos toda a força necessária para mudar o rumo da nossa relação com o planeta. As nossa pequenas ações fazem uma grande diferença.

 

 

O: Que dicas ou ações é que gostarias de recomendar a todos aqueles que queiram fazer a diferença, reverter esta situação e cuidar dos nossos oceanos?
V: Eu acredito que pequenos gestos individuais, praticados por um coletivo, têm um grande poder de mudança.

Na vida diária podemos começar por gestos simples como repensar os nossos hábitos de consumo e evitar a compra de produtos em embalagens de uso único, principalmente de plástico, preferindo a compra a granel em embalagens reutilizáveis, lavar a loiça numa bacia com água e utilizar produtos biodegradáveis, evitando assim a contaminação dos recursos hídricos. E porque não aprender a fazer os próprios produtos de limpeza da casa? Tomar banhos rápido (um duche prolongado pode gastar cerca de 100 litros), optar por produtos de higiene pessoal e cosmética que valorizam as matérias-primas naturais, sem substâncias químicas que agridem o meio ambiente, comprar a roupa apenas que necessitamos, preferindo sempre tecidos naturais como lã, algodão, seda e caxemira, preferencialmente  provenientes de agricultura biológica (evitar as fibras sintéticas, que libertam micropartículas na água, durante a lavagem), utilizar protetores solares que protejam os corais (ler sempre os rótulos) e por fim, nas idas à praia, recolher o lixo que se encontrar pelo caminho. Este simples gesto dá-nos uma maior consciência sobre o impacto real dos nossos hábitos diários.

Além disso, devemos trazer estas questões para as nossas conversas com amigos e familiares, de forma a conseguir mudanças a nível comunitário, contagiando uns aos outros, com bons exemplos.

Como diz um provérbio africano: “Pessoas simples, fazendo coisas pequenas, em lugares pouco importantes, conseguem mudanças extraordinárias”.