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ORGANII | BIO BLOG | As Emoções e o nosso Corpo – Entrevista a Ana Sofia Rodrigues

As Emoções e o nosso Corpo - Entrevista a Ana Sofia Rodrigues

Hoje falamos de um tema transversal a todos nós e de uma importância extrema para o nosso equilíbrio enquanto seres humanos. Uma abordagem fascinante que nos dota de conhecimentos que podem ser transformadores na forma como olhamos para as nossas emoções e as relacionamos com o nosso corpo.

 

Hoje falamos de um tema transversal a todos nós e de uma importância extrema para o nosso equilíbrio enquanto seres humanos. Uma abordagem fascinante que nos dota de conhecimentos que podem ser transformadores na forma como olhamos para as nossas emoções e as relacionamos com o nosso corpo.

Convidámos a Ana Sofia Rodrigues, para nos falar sobre a relação entre as emoções e os órgãos. A Ana é terapeuta e formadora, especialista em Medicina Tradicional Chinesa (MTC) e Desenvolvimento Pessoal e Humano.

 

ORGANII: Ana, o teu percurso não foi sempre nesta área terapêutica e de formação. Conta-nos o que te levou a mudar de vida e como foi esta mudança que parece estar realmente ao alcance de todos?

 

ANA RODRIGUES: Entrei para a Banca muito jovem, com 21 anos e por lá fiquei durante 14 anos, onde fui Gestora de Clientes em duas Instituições Bancárias. Ao longo do tempo fui me apercebendo como não era feliz nem realizada nesta área e fui sempre procurando fora da profissão, diferentes estímulos de satisfação pessoal, os quais, em boa parte, envolviam o mundo do autoconhecimento e do desenvolvimento pessoal. No final de 2006, fruto de uma depressão, coloquei tudo em causa (e ainda bem, pois hoje digo: “abençoada depressão!”). A partir desse ano aprofundei ainda mais as minhas experiências na área do autoconhecimento e terapias complementares. Encontrei a Medicina Chinesa no ano seguinte e automaticamente fiquei rendida a esta sabedoria e medicina incrível. Foi através dela que me restabeleci e tomei consciência de inúmeras coisas na minha vida, no meu corpo, nas minhas emoções.  Abracei assim o desafio de tirar o curso de 5 anos de Medicina Tradicional Chinesa e em 2012, despedi-me da Banca e mergulhei neste novo caminho que percorro até hoje.

 

O: Também és blogger e facilitadora de workshops e retiros. Porque é que decidiste integrar estes dois mundos da MTC e do desenvolvimento pessoal?

 

ASR: Para mim, o auto conhecimento e o desenvolvimento pessoal, aos quais me dedico desde 2001, são as bases fundamentais para alcançar uma vida feliz, saudável, consciente, equilibrada e de sucesso. “Se eu não souber o que gosto ou não gosto, o que me faz bem ou mal, quais as minhas competências, quais os meus valores, quais as minhas emoções…Como posso fazer as melhores escolhas para a minha vida?” 😊 Depois, sempre adorei escrever, comunicar, ensinar e claro, ajudar. Unindo todos estes gostos às minhas competências e conhecimentos, além das consultas clínicas, criei assim o Blog onde abordo mais a saúde à luz da Medicina Tradicional Chinesa, as Reflexões onde abordo mais a Saúde em complemento com o Desenvolvimento Pessoal, os Workshops (que facilito quer ao público em geral quer em Empresas) e Retiros Terapêuticos.

Além de ser munida de vários métodos e técnicas terapêuticas, eficazes e naturais, tal como sendo a mais conhecida acupuntura, a sabedoria da Medicina Chinesa é o veículo perfeito para tomadas de consciência e evolução para qualquer pessoa que queira saber mais sobre si, melhorar a sua saúde, física, mental ou emocional, pois ajuda-nos a compreender as mensagens do nosso corpo através dos sintomas e doenças, como as emoções se relacionam com o nosso organismo, a importância da alimentação, e muito mais.

Hoje, considero estas duas áreas complementares e são até, para mim, inseparáveis. Estão sempre presentes na minha vida, quer pessoal, quer profissional, nas suas várias vertentes.

 

O: Achas que foi uma forma de começar a fundir a saúde física com a saúde emocional?

 

ASR: Na verdade, elas sempre estiveram unidas e são inseparáveis. A saúde é um bem-estar físico, psicológico e emocional e não somente a ausência de doença. Falo um pouco deste conceito em vários artigos, como o mais recente “Um novo conceito de Saúde”. No entanto, e no decorrer da minha prática clínica, senti que de facto poderia fazer mais pelas pessoas que me procuram: partilhando os meus conhecimentos em workshops que criei de forma simples, prática e com técnicas aplicáveis no seu dia-a-dia; e também nos retiros, através de experiências vivenciais terapêuticas, sendo estas a melhor forma de superação e aprendizagem – “conta-me e eu esquecerei; ensina-me e eu poderei lembrar; envolve-me e eu aprenderei”

 

O: Um dos temas que tu abordas muito é o das emoções estarem associadas a um órgão do sistema do nosso corpo. Fala-nos um pouco desta relação e de como pode ser importante aprofundarmos este conhecimento.

 

ASR: Sim, na minha opinião e experiência, as emoções são a grande causa de uma boa parte das doenças.  Fui constatando ao longo dos anos, que muitas pessoas apresentam sintomas físicos associados a determinados eventos emocionalmente traumáticos, nunca devidamente processados. Além disso, o próprio ambiente em que a pessoa vive, a sua relação consigo mesma e com o mundo, potencia todo o nosso mundo interno das emoções. A Medicina Tradicional Chinesa explica muito bem a relação entre as diferentes emoções e os diferentes órgãos, trazendo à consciência da pessoa e sua compreensão, o porquê de determinado sintoma. Esta compreensão e tomada de consciência pode ser determinante no processo de recuperação. O corpo fala connosco, constantemente.

 

O: Como é que as estações do ano estão relacionadas com essas emoções?

 

ASR: Cada estação tem associado o respectivo Elemento e órgão físico, que por sua vez se relaciona com uma emoção. Exemplificando com a actual estação: a Primavera, do Elemento Madeira, está associada ao órgão Fígado e à emoção raiva e/ou irritabilidade. (Falei recentemente um pouco desta relação num dos meus últimos vídeos que podem ver no meu canal do Youtube.)

Cada estação tem também em si, todo um simbolismo de movimento energético, que nos ajuda a compreender as nossas emoções e até mesmo possíveis sintomas físicos. Observar o que acontece com a natureza, ajuda-nos a compreender o que acontecer connosco próprios.

 

O: Vamos entrar no verão. Que emoções são tipicamente despoletadas nesta altura e como podem afetar o nosso corpo?

 

ASR: A alegria é a emoção associada à estação do verão e ao elemento fogo. Esta emoção e estação associam-se ao órgão coração, conectando-se com todo o nosso sistema nervoso e cardio-vascular. Se existir desordem física, emocional ou energética associada a este elemento e este órgão, alguns sintomas possíveis de surgir são ansiedade, insónias, palpitações, entre outros. De referir que todas as emoções são naturais e fundamentais, mas podem ter uma expressão benéfica ou patológica, mesmo a Alegria. Muitas vezes nos meus eventos me perguntam: “mas como é que a alegria pode não ser benéfica?” – ao que eu respondo “se for uma alegria falsa, para camuflar o verdeiro sentir e emoções mais predominantes importantes de expressar.” 😊 É também uma época mais quente, que pode contribuir para o agravamento de alguns sintomas em pessoas que já tenham patologias que agravam com o calor, com um típico diagnóstico ou quadro clínico de calor (aspectos considerados na análise e diagnóstico de Medicina Tradicional Chinesa).

 

O: Que conselhos nos deixas para nos prepararmos para esta estação?

 

ASR: A estação do verão pertence ao elemento fogo. É o auge do movimento Yang, sendo a estação mais quente e Yang de todas. Neste contexto, podemos dizer que o Yang simboliza a actividade, o exterior, o céu.  É assim tempo de socializar, sair, exercitar o corpo, comunicar e divertir-se! Beber mais água fora das refeições, evitar alimentos quentes e muito calóricos, optando por alimentos frescos e cozinhados a vapor ou salteados, de origem biológica sempre que possível. Aproveitar o sol e a fonte de vitamina D, sem excesso de exposição solar (respeitando os horários de exposição recomendados).

 

O: A Pele é o nosso maior órgão. Quais as principais emoções associadas a ela?

 

ASR: Quando recebo pessoas com problemas de pele, duas suspeitas imediatas como causa, necessito de despistar: as emoções e a alimentação. Ao nível emocional a principal emoção associada é a tristeza, pela sua relação com o órgão Pulmão, cuja expressão deste órgão é a pele. No entanto, dependendo dos casos – pois cada caso é um caso – poderão estar subjacentes outras emoções, como por exemplo a irritabilidade contida, que está mais associada ao fígado e à primavera e como tal, potenciar possíveis alergias ao nível dermatológico, sobretudo nesta época do ano.

 

O: Que recomendações costumas dar para gerirmos essas emoções e cuidarmos deste órgão que acaba por ser o que está em contato direto com o mundo exterior?

 

ASR: Para todas as nossas emoções, recomendo a aprendizagem de reconhecer as mesmas, saber olhar para dentro e identificar o que realmente se sente, saber expressar e transformar positivamente essa emoção, alcançando uma boa e equilibrada gestão emocional. Tudo isso se aprende e se desenvolve.

Sobre a pele, dou especial atenção à alimentação e emoções da pessoa. Ao nível alimentar, alguns alimentos a evitar, que podem originar ou agravar problemas dermatológicos, são o leite e os lacticínios, doces, alguns picantes, alimentos processados, álcool e outros. Ao nível emocional é necessário avaliar o caso individual de cada um, podendo estar envolvidos padrões de raiva contida, tristeza não assumida e libertada, timidez e dificuldade de se relacionar com os outros e com o exterior, etc.

 

Tal como a pele, todo o nosso corpo deve ser nutrido e cuidado “o segredo não é ir atrás das borboletas – é cuidar do jardim para que elas venham até si.” Cuide do seu corpo.